Esse natal usei o presente de meus pais, que normalmente vem em dinheiro, para comprar um leitor de livros eletrônicos com tela baseada em tinta digital. Depois de analisar as opções que tinha decidi por um Sony PRS-T1 preto. Aproveitei que a minha sogra estava no Canadá e pedi para ela me trazer um. Paguei Ca$ 120,00 e ganhei dela uma capa para proteger meu brinquedo novo, desta vez pelo meu aniversário.
A decisão não foi simples pois ele trás vantagens e desvantagens quando comparado às alternativas. Como vantagens está o fato de ele estar baseado no padrão EPUB de livros que adotado de uma forma ou outra por quase todos os leitores digitais fora o Kindle da Amazon que usa um formato exclusivo. Assim poderia comprar livros em livrarias nacionais como a Cultura, Saraiva ou Gato Sabido. Outro ponto forte que me fez preferí-lo foi sua capacidade de lidar com PDF considerada melhor do que os concorrentes. Não comprei o leitor para ler artigos nele mas acho legal poder carregar os artigos comigo numa viagem sem o peso do papel. Outra vantagem é que o leitor da Sony tem ótima funcionalidade de anotação permitindo até desenhos livres com uma caneta de plástico já que a tela é sensível ao toque. Isso só não é tão bom porque não é fácil ver as tais anotações fora do leitor ou do programa proprietário e meia boca da Sony.
Já as desvantagens são duas. Primeiro a loja digital de livros da Sony, que vem integrada no aparelho, não funciona no Brasil, é preciso ter cartão de crédito com endereço americano, canadense ou de outro lugar onde ela opera. Isso quer dizer que eu não poderia comprar tão facilmente livros, particularmente não poderia fazer isso de dentro do leitor. De qualquer forma a loja do Kobo pode ser usada do Brasil e tem os livros no formato certo e um ótimo acervo. E tinha as lojas brasileiras que acho fundamental. Outra pequena desvantagem é que os preços da Kobo são mais salgados do que os da Amazon com seu Kindle. A outra grande desvantagem é que os livros comprados vem com DRM... Impressionante a indústria fonográfica já ter desencando disso mas as editoras de livros serem ainda tão apegadas. Uma das coisas que fiz foi a aprender a retirar o DRM dos formatos mais importantes, o EPUB com ADE (que o sistema de DRM da Adobe) e dos livros do Kindle. É bem simples, basta instalar o calibre e uns plugins (busquem por "Aprentice Alf"). Depois é pedir para o calibre converter o livro, permitindo até importar livros do Kindle para o meu leitor se for aceitável pequenas perdas de formatação, algo usualmente razoável para romances.
Mas aí veio o "twist" que explica por que estou escrevendo isso aqui: descobri lendo os forums do site mobileread que o meu leitor nada mais é que um tablet rodando android com uma casca proprietária da Sony. Além disso é possível obter acesso de super-usuário e controlar o aparelho. Fiz isso esse final de semana e instalei os aplicativos do Kindle e do Kobo. Eles funcionam razoavelmente bem e permitem comprar diretamente das lojas. Hoje, por exemplo, comprei de impulso, a facilidade é perigosa, a série "Campus Trilogy" do David Lodge que o Carlos Humes tinha sugerido há tempos para que eu lesse. Paguei US$ 8,99 por três livros, recebi em menos de um minuto e pude começar a ler. Comprei na loja do Kindle. Isso resolve o meu problema inicial de não ter como comprar facilmente livros de dentro do aparelho. Ainda vou de tempos em tempos pegar os livros novos e importar no Calibre para poder ter a versão livre de DRM, assim me protejo como falhas nesse sistema infeliz.
Assim o meu PRS-T1 saiu bem melhor que a encomenda. Tenho um leitor Sony, com uma tela linda, capaz de lidar razoavelmente com PDFs e de forma ótima com livros em EPUB. Tenho ainda o equivalente a um Kindle Touch e um Kobo Reader no mesmo aparelho. Tenho a possibilidade de rodar outros programas simples para Android. Estou contentíssimo com minha compra.
Nem tudo são flores, a tela de tinta digital e-ink é muito lenta e a maioria das aplicações para Android adoram firulas e efeitos. Isso vira um show pisca-pisca na tela e tora a maioria dos aplicativos impossíveis de usar. Por exemplo não posso usar o meu leitor preferido de PDF, o ezPDF, que permite anotar e tal torna-se um suplício. Ainda estou procurando um leitor de PDF para Android que permita desligar todas as firulas!
Oba, quero comprar! Queria muito conseguir comprar no Brasil, mas a Sony insiste em não vender aqui...
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